terça-feira, 25 de março de 2025

 

Comemoração do V Centenário do Nascimento de Camões


TERTÚLIA LITERÁRIA - ECOS DE CAMÕES - PALAVRA E MÚSICA


 A Tertúlia ECOS DA POÉTICA DE CAMÕES – PALAVRA E MÚSICA dinamizada pela Biblioteca, decorreu a 21 de março e teve o seu primeiro momento na receção dos convida dos com o magnífico desempenho musical do Bernardo Alves (canto), Afonso Oliveira (guitarra), Artur Sousa (violoncelo) e Miguel Pacheco (contrabaixo), na interpretação de «Che fiero costume», na entrada do solar. Já no auditório, imergimos na Lisboa quinhentista, à data, a mais escandalosa cidade do mundo – uma sociedade aberta, ainda que perigosa onde coexistiam diferentes religiões, judeus e mouros traficavam lado a lado, mas onde confluíam os mais avançados cientistas, técnicos, pensadores e artistas. 
Fizemos a viagem até ao mundo novo dos produtos trazidos pelas naus da Índia «Das grandes naus, pelo Índico Oceano / Especiaria vem buscar cada ano» («Os Lusíadas», canto IX), das suas vozes, quer em tom laudatório e de encantamento pelo desconhecido, nas magníficas interpretações musicais do COR’ARTE, quer na manifestação daquele «velho de aspeito venerando,/ que ficava na praia, entre as gentes» («Os Lusíadas», canto IV, est. 94), na grandeza da palavra declamada pelos alunos do 8.º A, conjugada com a dança e com a música do COR’ARTE, na representação de um quadro cénico de «Jeremias e o Mar do Norte», da autoria da professora Alexandra Negrier.
Vivenciámos a grandeza poética do nome maior da portugalidade – Luís de Camões – na expressão lírica e épica, revisitámos as razões para que seja lido e estudado, no repassar da história lusitana «Esta é a ditosa pátria minha amada / Esta foi Lusitânia» («Os Lusíadas», canto III, est.20), no pendor filosófico e crítico dos temas tratados, na definição da alma humana «Os bons vi sempre passar /no mundo graves tormentos», no pendor da mudança «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades / Muda-se o ser, muda-se a confiança», excelentemente declamados por Rita Félix, acompanhada ao acordeão por João Félix, na sublimação da mulher, quer em retrato convencional «Um mover de olhos brando e piedoso», que transformou a sua quietude «a celeste formosura / Da minha Circe, e o mágico veneno», mas também de um encanto feminino descoberto tão longe da pátria «Aquela cativa / que me tem cativo» e na manifestação do Amor com a esplêndida interpretação de «Amor é fogo que arde sem se ver», pelo COR’ARTE. Mas a viagem não estaria completa se não fizéssemos eco da graciosidade com que a flora se perspetiva na sua obra poética, na alusão encantatória de «Verdes são os campos», extraordinariamente interpretado pela professora Liliana Rodrigues, acompanhada ao acordeão por João Félix, das violetas e de outras espécies e temáticas, declamadas pelas professoras Carla Leitão e Miquelina Fernandes. Mas estaríamos a incumprir a verdade poética se não fizéssemos voz do sentido da História Universal, da viagem como acesso ao Conhecimento «Vês aqui a grande Máquina do Mundo / (…) assim foi do Saber, alto e profundo» («Os Lusíadas», canto X, est. 76 a 91), assim como do desalento do poeta «No mais, Musa, no mais, que a lira tenho / destemperada e a voz enrouquecida / e não do canto, mas de ver que venho /cantar a gente surda e endurecida» ( «Os Lusíadas», canto X, est. 145). No final, recordando Miguel Torga, em manifestação laudatória a Camões, «Não tenho versos, de tão comovido / Que fico a olhar de longe tal grandeza», os alunos do Curso Profissional de Turismo Ambiental e Rural, coordenados pela professora Alexandra Cabral, serviram o bolo com que, unidos à magnífica plateia, brindámos à imortalidade da genialidade do Poeta. 
 Um agradecimento a todos os que das mais variadas formas contribuíram para que a sessão fosse possível, o Diretor, a equipa da biblioteca, todos os participantes na sessão, o assistente técnico, Luís Roque, a profes sora Alexandra Cabral na coordenação dos alunos do Curso Profissional de Turismo Ambiental e Rural, o pessoal não docente na preparação do espaço e na ajuda ao serviço durante a sessão e à magnífica plateia.   




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